Robô da Nasa encontra possíveis restos de vida microbiana em Marte

Com informações de Marcos Bonfim em colaboração para Tilt do portal UOL

O rover Curiosity, da Nasa, encontrou fortes evidências de sais orgânicos no solo marciano, o que atraiu a atenção de cientistas. Estes sais são restos químicos de compostos orgânicos, como outros elementos já detectados pelo robô.

Cientistas acreditam que os compostos orgânicos e os sais descobertos em Marte podem ter sido formados por processos geológicos ou ser restos de vida microbiana antiga.

A descoberta acrescenta mais evidências à tese de que já existiu matéria orgânica em Marte. Além disso, a existência de sais orgânicos apoia a ideia de que o planeta vermelho tem pelo menos alguma condição de ser habitado. Na Terra, alguns organismos podem usar sais orgânicos, tais como oxalatos e acetatos, para gerar energia.

“Se determinarmos que há sais orgânicos concentrados em qualquer lugar em Marte, nós vamos querer investigar mais a fundo essas regiões. Idealmente perfurar mais abaixo da superfície onde a matéria orgânica poderia ser melhor preservada”, afirmou James M. T. Lewis, o geoquímico orgânico que liderou a pesquisa, publicada no Journal of Geophysical Research.

Décadas atrás, os cientistas já previam que os compostos orgânicos em Marte poderiam estar se decompondo em sais. Segundo os especialistas, esses elementos teriam mais probabilidade de persistir na superfície marciana do que moléculas grandes e complexas, como as que estão associadas ao funcionamento dos seres vivos.

A descoberta do Curiosity ajuda a confirmar as previsões da ciência.

Vida alienígena em Marte?

Os experimentos do laboratório de Lewis e a análise de dados do SAM (Análise de Amostra em Marte, em tradução livre), um laboratório químico portátil dentro da barriga da Curiosity, apontaram indiretamente para a presença de sais orgânicos.

Como um arqueólogo desenterrando pedaços de cerâmica que um dia pertenceram a uma civilização, o Curiosity recolhe solo e rochas marcianas que podem conter pequenos pedaços de compostos orgânicos, e então o SAM e outros instrumentos identificam as estruturas químicas presentes neles.

Usando dados do Curiosity, cientistas como Lewis e sua equipe tentam juntar essas peças. O objetivo é descobrir a que tipo de moléculas maiores elas podem ter pertencido no passado e o que essas moléculas poderiam revelar sobre o ambiente e a biologia em Marte.

“Estamos tentando desvendar bilhões de anos de química orgânica”, disse Lewis. “E nesse registro orgânico poderia haver o prêmio final: evidência de que a vida já existiu no Planeta Vermelho”.

A identificação direta, no entanto, é mais difícil de ser feita com ferramentas como o SAM, que aquece o solo e as rochas marcianas para liberar gases que revelam a composição dessas amostras. O ponto é que o aquecimento de sais orgânicos produz apenas gases simples que poderiam ser liberados também por outros ingredientes no solo marciano.

Uma outra solução da Curiosity, o instrumento de Química e Mineralogia (ou CheMin), que usa uma técnica diferente para se aproximar do solo marciano, poderia detectar certos sais orgânicos se eles estivessem presentes em quantidades suficientes. Até agora, porém, nada foi registrado por essa ferramenta.

Encontrar moléculas orgânicas, ou seus restos de sais orgânicos, é essencial na busca por vida em outros mundos. O desafio, no caso de Marte, é que, após bilhões de anos, a radiação pode ter apagado ou quebrado o que sobrou de matéria orgânica, se é que algum dia ela existiu.

Os próximos passos

Segundo a Nasa, as equipes que cuidam do SAM e do CheMin a bordo do Curiosity continuarão a procurar sinais de sais orgânicos à medida que o rover se desloca para novas regiões em Marte.

Em breve, os cientistas também terão a oportunidade de estudar o solo melhor preservado abaixo da superfície marciana. O rover ExoMars, da Agência Espacial Europeia, equipado para perfurar até 2 metros, levará um instrumento que analisará a química dessas camadas marcianas mais profundas.

Já o robô Perseverance, também da Nasa, não tem um instrumento capaz de detectar sais orgânicos, mas está coletando amostras para um futuro retorno à Terra, quando os cientistas poderão usar máquinas sofisticadas de laboratório para procurar compostos orgânicos.

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