O Cotidiano

A evolução ética no jeito de comunicar!
Efeitos visuais, sequências de luta memoráveis e referências ao games clássicos fazem do novo filme Mortal Kombat uma experiência interessante

Por Guilherme Coura

Se você era fã da franquia Mortal Kombat lá na década de 90, capaz que tenha assistido aos longas Mortal Kombat (1995) e Mortal Kombat: Aniquilação (1998), ou mesmo a série Mortal Kombat: A Conquista (1998). Como este que vos fala nasceu no finalzinho de 94, quase 95, assisti a essas pérolas nos anos 2000 em VHS, e para um Guilherme de 6 anos de idade eram maravilhas cinematográficas. Quando depois de adulto resolvi desempoeirar as velhas fitas e reassistí-las (guardo-as até hoje), me deparei com efeitos visuais tosquíssimos, atuações horrendas, sequências de luta sofríveis e uma história sem pé nem cabeça que, de fato, só poderiam agradar a uma criança de 6/7 anos.

Mortal Kombat Aniquilação: Atores toscos, história pior ainda. – Foto: Reprodução

Foi por causa dessa experiência que não elevei minhas expectativas ao saber que iria assistir ao novo lançamento da franquia, live-action com roteiro de Greg Russo e Dave Callaham lançado em 2021. Apesar de jogar MK desde o ano 2000, nunca entendi a história. Sabia que existia um Outworld, um tal de Netherrealm, mas tudo isso era secundário, “trevas versus o bem”. Eu queria mesmo era ver sangue e vísceras voando pela tela, acertar os Fatalities, Brutalities, Friendships e Animalities. 

O FILME DE 2021

Ir ao cinema depois de um ano e 2 meses de quarentena por si só já foi uma experiência interessante. O longa se inicia no Japão do século XVI, contando a história de um guerreiro (Hanzo Hazashi) que teve sua família assassinada por Bi-Han (Sub-Zero), um dos personagens principais da franquia. Depois de completar o serviço, ele pensa ter acabado com a linhagem do nobre guerreiro, não atento ao fato de que havia uma bebê recém-nascida que havia deixado para trás. 

Corta para o que parece ser o século 21, e a história se desenrola sob a perspectiva de um lutador decadente, Cole Young, que inadvertidamente descende da nobre linhagem de guerreiros do clã de Hanzo Hazashi. O que acontece daí pra frente é exatamente o storytelling da jornada do herói: Um guerreiro nobre porém decadente tem um potencial gigantesco que desconhece. Ele recebe a visita de uma figura maligna (Sub Zero), e é salvo por Jax, que diz que ele tem a “marca do dragão”, sendo portanto um dos escolhidos. 

O nobre guerreiro visita Sonya Blade, que o conta sobre o Mortal Kombat, torneio no qual diversos mundos batalham pela vida. Cole descobre que, sendo um dos escolhidos, é um dos guerreiros que vão representar o Reino da Terra (Earthrealm), salvando seu mundo da invasão dos malvadões da Exoterra (Outworld). Ah, e também tem Kano, que é uma espécie de mercenário capturado por Sonya Blade, que serve no filme como o suporte de alívio cômico dentro da estrutura do roteiro. 

Cenário clássico, “The Pit” marca presença no novo longa. – Foto: Reprodução

A estrutura do filme é literalmente a jornada do herói. Cole visita Rayden, o grande mestre, que o treina e o ajuda a descobrir seus poderes ocultos. Ele deve enfrentar desafios pessoais, destravar todo o seu potencial e derrotar o inimigo, salvando a terra da dominação. Nesta matéria, não vou dar nenhum spoiler. Mas você já deve imaginar exatamente tudo que vai acontecer e como vai terminar. 

VEREDICTO

O filme, antes de tudo, conseguiu fazer algo que não pensei ser possível: Me fez entender a história de Mortal Kombat de uma vez por todas. Ele entrega efeitos visuais primorosos, um excelente desenho de som, atores principais bem melhores do que os filmes anteriores (com exceção do que faz o Liu Kang, que parece ter vindo diretamente de um figurante de Bruce Lee da década de 70). 

Os fãs da franquia, como eu, devem ficar satisfeitos com a experiência. Você irá reconhecer referências clássicas, como bordões e lugares como “The Pit”, fase clássica da franquia e que marca presença no filme. Claro, a história é a mesma de filmes como Harry Potter, Indiana Jones, Karatê Kid, Rocky Balboa, Star Wars e todos os outros que usam a jornada do herói? Sim, mas o faz de forma competente e divertida. No fim das contas, entrega entretenimento, e é isso que importa. Vale dizer que provavelmente veremos um segundo filme neste reboot, fato que nos é apresentado bem no finalzinho do longa. 

Portanto, fãs de MK: Get over there, para o cinema mais próximo (fazendo uso de todos os cuidados pandêmicos) e prepare-se para momentos de muita diversão e, porradaria e, claro, muito sangue, como pediria um bom filme de Mortal Kombat. 

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